Estando os semicondutores em todo o lado, desde um sensor fotográfico, um processador, até a uma consola ou a um carro, o que se está a passar no mundo para que esta industria esteja em crise?

A PlayStation 5 está esgotada. A Samsung confirmou que a linha Note não terá direito, este ano, a um sucessor. A Google anunciou ainda esta semana que o Pixel 5a ficará só disponível nos EUA e Japão, e a Huawei tem vindo a adiar consecutivamente a apresentação da gama P50. A Apple não se escapa, já que o novo MacBook Pro e iPad estão também com falta de componentes. Afinal de contas, o que se passa?

Duas respostas a um problema bicudo

COVID-19

Street art - graffiti with facial mask on the wall during the current Coronavirus (COVID-19) pandemic in Warsaw, Poland
Photo by Adam Nieścioruk / Unsplash

A pandemia, ao atirar-nos para o confinamento, levou-nos a repensar a forma como consumimos conteúdo e entretenimento. É sem surpresa que a Sony, por exemplo, registou um aumento na ordem dos 86% no seu lucro, muito por conta das divisões de entretenimento (PlayStation 4 & 5) pela procura destes produtos e serviços numa altura onde o seu acesso se transformou numa janela para fora da nossa realidade.

Toda esta procura leva a que, no exemplo dado, a PlayStation 5 esteja contantamente esgotada pela falta dos componentes que a constituem. Algo verificado noutras marcas e segmentos de produtos.

A pandemia veio também alterar a forma como se trabalha em muitas destas empresas, o que levou a um desacelerar da produção.

Restrições dos EUA à China

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Photo by Martin Sanchez / Unsplash

Não foi só a Huawei que saiu prejudicada na guerra comercial começada por Donald Trump, mas a forma como as marcas americanas deixaram de poder contar, ou de ter acesso, às empresas chinesas destes componentes.

Quando vemos estas barreiras, e onde a taiwan semiconductor manufacturing company (tsmc) se torna a principal (e única) fabricante de empresas como a intel, Sony, Apple, AMD ou a Qualcomm, estamos perante um problema gigantesco.

Não obstante o trabalho e investimento que a tsmc tem feito para aumentar a sua capacidade de produção, também a Samsung é uma resposta a este problema iniciado o ano passado. Mas depender de somente duas empresas para, digamos, toda uma indústria, é algo sério. Especialmente quando os EUA só produzir cerca de 12% do que as suas empresas "mandam" produzir.  

Quais as soluções?

A solução é clara: produzir mais. Mas numa altura onde a pandemia e as relações com a China são um entrave, o que irá acontecer é a administração de Biden perceber a que aliados poderá repartir o fabrico de componentes e de que forma, ou não, estas empresas representam um risco à segurança nacional. Especialmente quando a China já avisou Taiwan de que ajudar os EUA representa guerra.

Apesar destas ameaças, o que irá acontecer é os EUA ganharem um reforço e capacidade gigantesca de produzir e alimentar toda uma indústria de impacto mundial. Algo que, segundo alguns economistas, reverterá a globalização ao serem criadas regiões de produção de semicondutores. A longo prazo poderá ser algo favorável, já que torna a indústria à-prova de qualquer dependência de determinando mercado e/ou região.

Joe Biden (Ken Cedeno/CNP/Bloomberg/Getty Images)

O que já aconteceu foi na segunda-feira, numa reunião com diversos CEO´s de empresas como a Samsung, TSMC, Alphabet, Ford e a AT&T, Joe Biden reforçar a sua aposta de, "pelos americanos", tornar a América a líder na produção de semicondutores com um investimento específico de $50 bilhões dos seus US$ 2 trilhões totais.

Resumindo?

O grande resumo possível é que muitas movimentações geopolíticas estão a ser feitas nesta guerra tecnológica. A pandemia não veio ajudar e, enquanto muitos creem que a Samsung é uma poderosa aliada por conta das fábricas que se encontra a expandir no Texas, ou da Sony na sua procura por criar fábricas de produção massiva para alimentar a demanda por sensores de câmaras (a abrir neste mês de abril), no Japão, o certo é que ainda irá demorar até que a alta procura por semicondutores consiga ser satisfeita. Irá demorar, sim, mas talvez não tanto se a dependência criada pela China conseguir ser, eventualmente, repartida pelos EUA e os seus aliados.