Ano após ano, as fabricantes entram em disputas capazes de chegar aos 125W. Sendo algo vantajoso, ou não, neste artigo irei dar a conhecer os últimos avanços destas tecnologias.

Tipos de Carregamento

Não, não é de corridas que vou falar, mas antes da procura constante de, anualmente, se tentar que as baterias dos nossos smartphones carreguem, efetivamente, mais rápido. Isto leva a que diversas marcas chinesas, como a Oppo (a dona da OnePlus), a anunciar velocidades de carregamento loucas que começam nos 65W para um carregamento wireless, até a gigantescos 125W para um carregamento por fio.

A Oppo não está sozinha e, mesmo que nem todas as marcas apostem em carregadores capazes de rivalizar em tamanho com um tijolo, são diversas as que aliciam o consumidor. Encontramos esses exemplos na OnePlus, que oferece ao consumidor 65W de velocidade com fio e 50W sem fios, na Xiaomi, que oferece 55W de carregamento por fio e 50W em carregamento sem fios, da Samsung, que de 45W oferecidos o ano passado (S20Ultra), passou para 25W em carregamento por fio e 15W sem fio. A Apple entra em último, oferecendo aos utilizadores 20W em carregamento com fio e 15W em carregamento sem fio.

Estas velocidades não acontecem por acaso, existindo diferentes tecnologias, ou nomes, que as alimentam. De que falo?

USB Power Delivery

Este é dos padrões oficiais de carregamento rápido, definido pela USB-IF em 2012. Este protocolo de carregamento faz a comunicação entre o carregador e o telemóvel, que gere a carga máxima suportada por ambos os equipamentos. As velocidades podem ir até aos 100W, sendo que temos diferentes voltagens para cada fase do carregamento. Exemplos deste protocolo são encontrados em dispositivos Sony Xperia, Google Pixel e ainda em modelos como o iPhone 8, iPhone X, iPhone XS ou alguns dos seus MacBooks.

Qualcoom Quick Carge

Esta tecnologia proprietária da gigante de processadores, Qualcoom, era a mais popular, muito antes do USB Power Delivery. Esta tecnologia tem evoluído, estando atualmente na sua 5ª versão. Este padrão de carregamento está só disponível para dispositivos que utilizem a gama Snapdragon, sendo, contudo, opcional.

O que mais tempos?

Após estes padrões mais comerciais, fabricantes como a Samsung, OnePlus, Huawei, Oppo ou Xiaomi desenvolveram os seus protocolos de carregamento. E, com nomes mais ou menos apelativos, a corrida às velocidades de carregamento chegou a um ponto em que o próprio carregamento por wireless também começou a evoluir.

Mas como funciona este carregamento?

As baterias dos nossos smartphones sendo compostas por um elétrodo positivo e outro negativo, têm um elétrodo entre ambos os componentes. Os iões movimentam-se assim de um lado para o outro, o que possibilita o carregamento da bateria e, claro, a descarga da mesma.

Fonte: Repair store (2017)

Com isto, quanto maior for a corrente enviado do carregador para a bateria, mais rapidamente este processo de movimentações de iões ocorre. Qual o objetivo de tudo isto? Dar ao utilizador mais poder, mais horas de utilização e a capacidade de, com meia hora de carga, o utilizador conseguir ter bateria para um dia médio de utilização.

Nem tudo é bom...

Apesar de este progresso, nem sempre os protocolos são compatíveis com carregadores de outras marcas, o que gera confusão no consumidor e a um controlo gigante das marcas em vender os seus produtos oficiais.

A União Europeia, ao tentar unificar o sistema de carregamento, ajuda o consumidor na hora de escolher entre comparar um carregador rápido da marca do seu telemóvel ou um "de marca branca". Contudo, se olharmos para os dados de testes conduzidos pelo Android Authority em 2019, vemos que existe ainda um grande caminho pela frente.

Fonte: Android Authority (2019)

Uma das marcas que colmatou esta situação foi a Samsung, ao incluir com os seus modelos mais recentes uma opção específica que habilita o carregamento rápido para carregadores fast charging.

Fonte: Samsung

Outro dos pontos a ser importante ressalvar é que o carregamento rápido não é constante. Isto é, somente os primeiros 50 a 60% é que são realmente mais rápidos. Após este pico de energia, a corrente passa a ficar constante para depois começar a cair e chegar a um ponto mais lento. Porque acontece? Para preservar a saúde da bateria. Ou seja, a sua vida útil. A aliar a este fator, temos as elevadas temperaturas e a dissipação de calor que não só danifica a bateria em si, como os componentes perto ou associados a este no telemóvel.

As marcas têm vindo a resolver estes problemas com diversas tecnologias e, com o aumento da "inteligência" dos próprios telemóveis, é um circuito dentro do telemóvel que, aliado a sensores de voltagem e temperatura, controlam a corrente máxima com base nas otimizações da bateria.

Encontramos este exemplo novamente na Samsung, onde até à versão OneUI 2,5 não era possível, durante o carregamento, alterar a velocidade de carregamento para, na OneUI 3.X, ser já possível.

E o carregamento sem fios?

A base do carregamento sem fios envolve a existência de uma bobina que gera carga eletromagnética quando corrente elétrica passa por esta. Este campo gerado induz força do carregamento nos dispositivos compatíveis, levando a que ocorre transferência de energia.

Base de carregamento sem fios Sony WCH10 (Fonte: Divulgação/Sony)

Porém, uma vez que no carregamento por fios a corrente é passada diretamente para a bateria por um cabo USB-C, o carregamento sem fios obriga a uma base de carregamento que, por si só, para atingir as velocidades usadas hoje, aquece. Apesar da maior parte dos carregadores sem fios vir já com uma ventoinha incorporada, a transferência de calor entre o carregador sem fios e o telemóvel é muito maior, aquecendo não só o material que compõe a traseira do dispositivo, como todos os componentes que ficam em cima desta base.

Samsung Duo Pad - Fonte: Samsung.com

Resumindo?

Na procura por dar ao utilizador mais tempo nos serviços e aplicações, as marcas entraram na corrida de oferecer melhores velocidades de carregamento. Contudo, e apesar de estes velocidades poderem ser prejudicais, as próprias tecnologias que protegem a bateria e a sua vida útil também se transformaram.

O carregamento por fio será sempre a opção mais saudável e de fácil controlo para o utilizador. Contudo, visto que diversos consumidores carregam o seu dispositivo durante a noite, aquilo que eu tenho feito é carregar sem fios durante a noite, mas com as opções de carregamento sem fios rápido desligadas. Porquê? Bem, apesar de se gerar calor, uma vez que o smartphone estará pousado naquele ambiente por longas horas, uma velocidade mais baixa não só ajuda a preservar a vida útil da bateria, como o próprio calor gerado conseguirá ser mais contido.