Está a ser um início de ano movimentado lá para os lados de Marte. Nos últimos meses chegaram ao planeta três missões internacionais: a Hope, dos Emirados Árabes Unidos entrou na órbitra de Marte no dia 9 de janeiro; a Tianewn-1, da China, a 10 de fevereiro e, por fim, os Estados Unidos, que com a missão Perseverance posou na cratera de Jezero  a 18 de fevereiro. Já vimos imagens e até já ouvimos o som ambiente do planeta.  

Mas porquê Marte? Qual o interesse pelo planeta vermelho? Porque investir tanto na exploração de Marte?

Exploração de Marte: o porquê

Planeta Marte

O planeta Terra, o nosso, é o terceiro a contar do Sol. Marte vem logo a seguir e apesar de ser bem mais pequeno (Marte tem aproximadamente metade do diâmetro da Terra), a área terrestre é equivalente à área da superfície dos continentes da Terra. Isto significa que, em teoria, Marte possui a mesma quantidade de propriedades habitáveis. A cor vermelha deve-se ao solo rico em ferro.

Atualmente, a atmosfera de Marte é maioritariamente constituída por Dióxido de Carbono o que faz com que não suporte formas de vida terrestre. Existem também amplitudes térmicas enormes entre o verão e o inverno: no verão as temperaturas rondam os 22ºC e no inverno os -125ºC.

Quanto a água, ela existe, mas apenas em forma de gelo. Estima-se que no total existam 21 milhões de km3 de gelo em Marte, tanto à superfície como no subsolo. As baixas temperaturas em conjunto com a baixa pressão atmosférica, fazem com que a água só exista em forma de gelo ou de vapor.

Porém, os estudos que têm sido conduzidos ao longo do último século, mostram que Marte já foi capaz hospedar ecossistemas e que hoje ainda pode ser uma incubadora de vida microbiana. A superfície de Marte, repleta de crateras originadas por impactos de asteróides, apresenta todo o tipo de estrias, indicando que por lá já existiu água em forma de rios, riachos, bacias ou outros. Através de observações já realizadas concluiu-se que o planeta vermelho pode ter tido um grande oceano a cobrir todo o hemisgério norte e, que noutras zonas, fortes tempestades levaram à abertura de valas no terreno e à formação de lagos e rios.

Superfície de Marte. Fonte: NASA

Mas, nalgum momento, Marte ter-se-à tornado seco e poeirento. O que terá acontecido? A  exploração de Marte é muito importante para aprender sobre mudanças climáticas e de que forma é que estas podem alterar fundamentalmente um planeta. Além disso, outro objetivo passa por procurar bioassinaturas, que na prática são sinais que podem ou não revelar a existência de vida passada e/ou presente.

Porquê Marte e não Vénus?

O planeta mais próximo da Terra é Vénus, não Marte. Mas é em Marte que os cientistas estão a concentrar as atenções. Porquê? Porque Vénus é um bocadinho quente de mais, apresentando uma temperatura média à superfície de 426ºC e uma pressão atmosférica 90,7 vezes maior que a da Terra. Para além disso, a atmosfera é constituída por 96% de Dióxido de Carbono, 3,5% de nitrogénio e apenas 0,002% de valor de água.

Missões anteriores em Marte

Já passaram mais de 60 anos desde as primeiras tentativas de exploração de Marte pela União Soviética, em 1960. Quatro anos depois, foi a vez da NASA fazer a primeira viagem a Marte e, ao longo dos anos seguintes, seguiram-se dezenas de outras missões. Algumas procuravam apenas captar imagens, outras pretendiam efetivamente aterrar no solo do planeta. As imagens captadas permitiram concluir que os canais do planeta não foram construídos por civilizações alienígenas, que Marte possui os maiores vulcões do Sistema Solar e que grandes tempestades de poeira varrem regularmente o planeta.

Mars Express Orbiter. Fonte: NASA

Em 1976, Nasa leva a primeira nave à superfície do planeta para captação de fotografias e realização de outras experiências. Mais tarde, em 1996, Marts Pathfinder, foi o primeiro veículo a navegar no solo marciano. Manteve-se operacional durante mais de 80 dias. Em 2003 a NASA conseguiu pousar mais dois robots, o Spirit e o Opportunity: operacionais por 2208 e 5351 dias marcianos (sols), respetivamente.

Ao todo, totalizam-se cerca de 50 missões ao planeta vermelho, todas feitas por máquinas, sem humanos a bordo. Em 2030, a NASA espera conseguir levar os primeiros homens à superfície de Marte. Até lá, todos os dados recolhidos mostram que Marte é um planeta ativo, com os ingredientes necessários para suportar vida (água, carbono orgânico e uma fonte de energia). E, por isso, a questão persiste: já houve realmente vida em Marte? Será que poderá haver no futuro?

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