Fica a saber tudo após seis meses de utilização daquele que poderá ser o último Note da Samsung: o Galaxy Note 20 Ultra 5G.

O mês era o de agosto. O sol ia alto e, não só as férias chegavam ao fim, como tinha uma decisão para tomar. Tinha de escolher qual o meu próximo smartphone. Aquilo que não sabem sobre mim, é que, por forma a rentabilizar qualquer investimento tecnológico, tento vender o meu equipamento do momento por forma a ter perdas mínimas num próximo. Algo que faço desde o meu Sony Xperia Z2 até ao telemóvel que tinha o ano passado: o Huawei P20 Pro.

Podem pensar qual a importância de estabelecer esta ideia desde o início, mas acreditem, torna-se importante. A primeira razão é pela desvalorização bem sabida existente no mercado Android. As marcas lançam topos de gama em trio, duas vezes ao ano. As atualizações chegam-se a perder no caminho e, onde dezenas de marcas atuam neste campo, aquilo que se investe num equipamento acabado de lançar é capaz de passar para metade num ano. Ou seja: tinha de fazer uma escolha que se revelasse segura num prazo de anos (não só dois) e ter segurança no investimento que fazia.

Das últimas fotografias que tirei com o P20 Pro

A segunda razão que vos apresento deve-se, sobretudo, à evolução tecnológica. A ousadia das marcas em investir e explorar funcionalidades que nos dão um smartphone versátil. Capaz de, independentemente da ocasião, não nos falhar. Neste ponto, e tendo como modelo de referência um Huawei P20 Pro, o departamento fotográfico era de extrema importância. Era o elevar o que me vim a descobrir amar – desde a astro-fotografia até o captar momentos inalcançáveis com o zoom.

Tendo como pilar estas duas vertentes, aliado à importância de um equipamento que me permitisse ser produtivo e capaz de gerir e criar conteúdo, quer para os meus blogues, quer os meus livros, a decisão surgiu. Uma que não esperava.

Galaxy Note 20 Ultra 5G

Design e Durabilidade

Quando o meu olhar recaiu no Note 20 Ultra fiquei deveras impressionado com a durabilidade da nova aposta da Corning no que toca ao vidro: o Gorilla Glass Victus. Tendo este vidro a proteger o ecrã e a traseira do equipamento, este elemento da linha Note sente-se robusto na mão do utilizador. As linhas são firmes e capazes de se tornar distintas de equipamentos de outras marcas. Um produto que, mesmo sem capa, tem uma boa resistência aos riscos acidententais e quedas inesperadas.

O módulo fotográfico é um ponto de destaque e, apesar de o ter estranhado a princípio, fiz simplesmente as pazes com ele. Apesar disso, este cria um grande alto quando o equipamento fica sobre uma superfície o que, eventualmente, poderá a longo prazo afetar a durabilidade ou eventuais acidentes gravosos.

Outro dos pontos que tive grande consciência antes da compra do dispositivo é as suas dimensões. Com um peso de 208 gramas e um ecrã de 6,9 polegadas protegido por uma caixa de alumínio retangular, os seus cantos podem tornar-se desconfortáveis após longos períodos de utilização. Mesmo que uma capa possa suavizar este impacto, torna-se um ponto importante, especialmente se tivermos as mãos mais pequenas que um bebé.

O ecrã

Sinto que falar deste equipamento sem referir o seu grandioso ecrã seria um erro. E, aquele que era um ponto inicialmente desconsiderado por mim, tornou-se desde logo relevante. Não são somente as suas dimensões. É a forma como o ecrã de 120Hz e HDR10+ dobra para a moldura e o torna, desde logo, um auxiliar da utilização. Quer seja de acesso a funcionalidades de painel lateral para, ao o rodarmos na horizontal, se transformar num ecrã de cinema, a reprodução de cores, contraste e brilho, conseguem surpreender. E, se nos meus equipamentos antigos utilizar o smartphone sob a luz direta do sol era catastrófico, a Samsung conseguiu uma proeza fabulosa num painel capaz de chegar aos 1,609 nits (unidade de medida para a intensidade luminosa).

Outro dos pontos que me motivou a escolha deste dispositivo foi, apesar da sua taxa de atualização de 120Hz, o painel ser capaz de o adaptar consoante a utilização e/ou conteúdo. Isto não só permite chegar a taxas mínimas de 48Hz, como ajudará na hora de poupar bateria.

Infelizmente, nem tudo isto se traduz numa experiência perfeita. O facto de o ecrã ser curvo e de grandes dimensões provoca, algumas vezes, interferência na utilização com toques acidentais. Não acontece diariamente, mas quando ocorre é frustrante.

Fotografia

Em anos que a Huawei tem vindo a perder relevância por conta da sua instabilidade, para uma Apple que pouco inova e aposta no seguro, a escolha recaía num OnePlus 8 Pro, no S20 Ultra ou no Note 20 Ultra.

Atendendo a que dispositivos com que contactei diariamente da OnePlus, como o 3T, 6, e 8 Pro, não me surpreenderam no ramo fotográfico face ao preço que praticam, e um S20 Ultra catastrófico na sua capacidade de foco, a oferta do mercado era parca. O Note 20 Ultra surgiu assim como luz ao fundo do túnel, numa relação de ódio que, por diversas razões, passou para "amor".

O Samsung Galaxy Note 20 Ultra possuí três câmaras traseiras e uma frontal. No gigante módulo fotográfico podemos contar com um sensor principal de 108 MP, uma lente de 26 mm com um f/1.8, e um tamanho avantajado de 1/1.33. Junta-se a isto a capacidade de foco, quer pelo sensor, como pelo laser que a Samsung instalou neste dispositivo. A estabilidade ótica de imagem está também presente.

Outra melhoria face ao S20 Ultra deu-se à lente periscópica de 12 MP e com capacidade de zoom ótico agora a 5x (e híbrido de 50x). Junta-se a capacidade de foco e estabilidade ótica de imagem. Por último, temos aquele que, na minha opinião, é o pior sensor do equipamento. Falo-vos da lente grande-angular de 12MP e que abrange um ângulo de 120º. O motivo para esta opinião é bastante simples: o sensor não tem capacidade de foco, o que limita deveras na hora de compor e tirar fotografias. Apesar de a qualidade do processamento ser boa, o facto de a Samsung não ter dotado o equipamento desta funcionalidade tão... antiga?, deixou-me desiludido. Todavia, saber que o S21 Ultra voltou a apostar em sensores Sony e que a lente grande-angular resolve esta questão e até adiciona a capacidade de fotos macro, leva-me a reconhecer o esforço da marca e a recomendar os seus produtos.

Sensores à parte, o processamento das imagens em condições ótimas de luminosidade consegue ser consistente, quer em detalhes, quer em situações de HDR extremo. A lente periscópica consegue ser extremamente eficaz, tendo-me surpreendido a sua estabilização sem tripé. Todavia, ao avançarmos para o zoom híbrido (zoom ótico + digital), o software nem sempre consegue ajudar a manter a imagem estável, o que pode limitar a sua utilização em situações pontuais.

O sensor periscópico de 12MP infelizmente peca em condições de baixa luminosidade - quer em ambientes de nevoeiro ou após o sol se pôr - o que obriga, nestes casos, à utilização de um tripé e do recurso de temporizador para qualidade máxima.

O processamento também não consegue, a meu ver, igualar aquele feito por marcas como a Huawei ou até, em alguns campos, a Apple, em ambientes de pouca luz. O modo noturno consegue fazer magias, sim, mas não sem sacrificar o detalhe nas imagens. Porém, onde o smartphone consegue brilhar é na captação do nosso satélite natural, a lua. Apesar de, ao contrário do novo S21 Ultra, o zoom ter dificuldades em estabilizar, torna-se surpreendente aquilo que o sensor e software conseguem fazer.

Apesar destes pontos, o que a Samsung conseguiu com a opção de Captação Única é fabuloso. É escolhermos entre diferentes tempos de gravação para, no fim da mesma, ficarmos com GIF´s, vídeos e fotografias de diferentes ângulos e efeitos.

Para terminar este ponto, importa falar do quão surpreso fiquei com a câmara frontal e a capacidade de utilizar o modo noite com uma qualidade bastante satisfatória. Especialmente quando juntamos o fator da estabilidade no momento de fotografar e o processamento dos tons de pele.

O elefante na sala

Tudo o que vos referi nos pontos anteriores só é possível com o processamento do equipamento. E, estando nós na Europa, o equipamento que se adquire está equipado com o processado próprio da empresa, o Exynos. Muito se diz e muito se sabe do mesmo. Confesso que foi, talvez, a minha maior ressalva no momento de adquirir o produto. Não era só o receio de problemas de eventual sobreaquecimento, mas de bateria e eventual degradação do desempenho ao longo do tempo.

As incertezas, contudo, desapareceram ao longo dos meses. Sim, registei um maior aquecimento a jogar Call of Duty, mas somente no verão. A bateria sofre, sim, existe uma perda de bateria em stand-by que não deixa de desaparecer. Mas é realmente um mau processador?

Bem, sim e não. É um mau processador quando mercados internacionais têm acesso ao poderoso Snapdragon 865+, mas o Exynos 990 não deixa de ser um bom processador para o utilizador comum. Isto é, alguém que utiliza o equipamento para jogar pontualmente jogos para sessões seguidas de 10-15 minutos e deixe o resto para redes sociais, e-mail e outras aplicações. Se alguma vez me falhou? Não, nem após jogar perto de meia hora de Legue of Legends, onde as funções de Jogo alocam a memória e colocam tarefas secundárias em suspensão.

E a bateria?

Com uma capacidade de 4500mAh, carregamento rápido de 25W e carregamento sem-fios a 14W, não posso indagar o como esperava mais. Não propriamente pelo processador, que não tem o mesmo rendimento energético que outro concorrente, mas acreditava que uma taxa de atualização de ecrã adaptativa fosse revelar-se mais simbólica no dispositivo.

É muito comum ficarmos perdidos em vídeos no YouTube em que a resistência da bateria é testada. O certo é que esses testes estão longe de representar o uso comum, isto é: os diversos "ligares e desligares" só por vício, o abrir certas aplicações por meros segundos para, de seguida, as fechar, e por aí em diante. Ou seja, apesar de já ter conseguido obter mais de 7 horas de ecrã, o mais comum é chegar ao final do dia com uma utilização a variar entre as 3h30 e as 5h de ecrã.

O que me fez ficar com o dispositivo?

Foram diversos os pontos negativos que referi. Desde arestas afiadas para uma bateria inconsistente ou processamento de imagem que conseguiria ser melhor, é normal perguntarem-se o que me levou a manter o aparelho. Pois bem, a razão é muito simples.

Já na terceira versão e apoiada pela versão 11 do Android, a OneUI é, na minha opinião, a melhor personalização do Android. Quer por atender aos sacrilégios de um ecrã de grandes dimensões, até às funcionalidades de produtividade e personalização, os serviços e ecossistema da Samsung impressionaram-me.

Se juntarmos estas funcionalidades à integração com os serviços da Microsft, é como ficar com um portátil dentro do bolso. A S-Pen facilita nesta questão, em especial quando queremos relaçar ou escrever algo para reter no futuro. É certo que a escrita digital pode facilitar em muitos casos. Todavia, no mundo caótico em que vivemos, sabe realmente bem pararmos para tomar notas à moda antiga. A precisão da caneta é espantosa (deu-me saudades do meu Surface Pro 3) e se aliarmos este pequeno objeto às funcionalidades Bluetooth, a sensação de independência torna-se esmagadora. Quer seja para a usar em apresentações, quer para tirar fotografias.

Porém, se há funcionalidade que adoro (para além da iluninação lateral na hora de receber notificações) são os atalhos do painel edge. Bem sei que qualquer smartphone pode ter isto com qualquer aplicação terceira, mas ver uma integração tão perfeita no ecosistema Samsung e Microsft, e onde o ecrã curvo atua quase como um auxiliar de usabilidade, elva a experiência.

Quero criar um GIF? Bum, feito. Tirar print a uma imagem ou a uma forma retangular ou quadrada? Bum, feito automaticamente. Quero extrair o texto de uma imagem que acabei de tirar? Posso fazê-lo e usá-lo para qualquer fim. Até o simples facto de poder tirar uma destas capturas de ecrã específica ou longa, partilhá-la e eliminá-la logo de seguida sem sair do mesmo ecrã, revela-se fabuloso.

Este é, sem dúvida, um cuidado à experiência de utilzador que não consegue ser igualável. A Sony, com a sua linha Xperia 1, consegue este feito com uma forma de multitasking que poderá chegar com o Android 12 para todos os aparelhos, mas conseguem ter isto no iPhone ou OnePlus? Infelizmente, não.

Nem tudo neste software é perfeito, já que são diversos os serviços da Samsung presentes e que não conseguem ser suficientemente bons para permanecer ativos no meu equipamento, como o caso do teclado próprio (que evolui lentamente) ou para uma Bixby. Porém, ter o poder para os desativar lembra-me o porquê de gostar tanto do Android: a possibilidade de escolha.

É ainda neste ponto, e último, que me leva ao ponto de partida: a segurança no investimento. Porque sim, o equipamento tem diversas arestas por limar. Mas, honestamente, muitas delas conseguiram ser atenuadas com atualizações - como a estabilidade no zoom a longas distâncias, por exemplo. Aliar esta atenção a uma marca que se compromete a três anos de atualizações de Android (irá receber atualizações de SO até ao Android 13) e onde cada versão da One UI traz elementos dos novos topos de gama aos antigos, como não é possível esperar-se sempre mais a cada ano?

Algo ainda a reter é a forma como o equipamento está disponível em Portugal com 5G. Uma rede que, apesar de ser uma utopia, pode dar a certeza num futuro vindouro.

O que espero para o futuro?

Sou otimista e procuro sempre uma perspetiva para qualquer problema. É com este sentimento que surgiu a review mais sincera possível. Uma que se focou realmente no que mais se usará diariamente num utilizador padrão. Isto, porém, não me faz ficar invisível ao quanto a Samsung tem de trabalhar. Não é somente no coração dos seus dispositivos para a Europa - o Exynos -, é o conseguir elevar os seus serviços ao ponto de se ver livre de uma Bixby que, no meu caso, está sempre desativada, e abraçar por completo o que a Google oferecer com a sua Assistente.

Alguns destes feitos são visíveis com a OneUI 3 e 3.1 e a integração profunda com o Google Duo. Não nego, contudo, o quão ansioso estou por como versões futuras poderão trazer aos Android da marca funcionalidades que, até então, eram quase que exclusivas da gama Pixel.

Então, recomendo o Note 20 Ultra?

Bem, depende. Quando o comprei sabia o que esperar, mas ao longo dos meses fui sendo surpreendido. O certo é que, com um novo topo de gama da marca no mercado e que consegue ter um preço mais convidativo, este Note 20 Ultra fica como que isolado e sem identidade. Acredito, contudo, que será uma boa opção para os entusiastas dos grandes ecrãs e produtividade ou, para aqueles mais atentos, agarrá-lo em campanhas promocionais. No fim, resume-se tudo a uma coisa: a ti, ao utilizador.