Está a Google a preparar o próximo sistema operativo?

É inegável: o Android é o sistema operativo móvel mais popular do mundo. E, mesmo que os seus números tenham decrescido ligeiramente com algumas subidas da plataforma da Apple, o iOS, o trabalho da Google em limar o seu SO tem sido notável.

Sim, ainda há milhões de dispositivos Android que não estão na sua última versão, mas também têm aumentado os projetos que visam melhorar esta desfragmentação. O mesmo se pode dizer com os problemas ligados à segurança e privacidade, com a Google a ter anunciado com a devida antecedência as alterações que fará à PlayStore, com a remoção de informação falsa ou de informação enganadora. Todavia, quando o mercado se vira cada vez mais para uma estabilidade, confiança e "lealdade" a um sistema, será de esperar que outras alternativas surjam.

Entra o Fuchsia OS

Fonte: 9to5Google

Com o seu desenvolvimento iniciado em 2016 e baseado num sistema baseado no Zircon, um novo kernel criado pela Google, este projeto, como confirmado em 2018 por um programador do projeto, é algo sério e não propriamente algo experimental.

O Fuchsia, ao contrário do Android que é baseado no kernel do Linux, é construído na plataforma Flutter SDK, que ao permitir criar código capaz de ser apresentado em diversos dispositivos, permite que a sua interface e exequibilidade, seja facilmente utilizado em smartphones, tablets ou produtos da internet das coisas (wearables, por exemplo).

O que significa isto?

O Fuchsia desenha-se como um sistema operativo totalmente novo, criado de raiz, e que visa unificar diversos sistemas e produtos. O certo é que o mesmo ganhou, no ano passado, certificação para a utilização de Bluetooth e, no início deste ano, ganhou uma alternativa para emular aplicações Android (que são baseadas num kernel diferente que este novo SO) enquanto se espera, hipoteticamente, que os programadores portem por completo as suas aplicações para a nova plataforma.

A Google não está sozinha...

Photo by Kai Wenzel / Unsplash

Em dezembro passado a Google abriu o código da plataforma para que outros programadores se juntassem. Para surpresa das surpresas, apesar das sanções impostas, até a Huawei está a ajudar a Google neste sistema. E, este mês, ficámos a conhecer que a Samsung está já a contribuir para esta plataforma com o seu sistema F2FS. Esta sigla, que significa Flash-Friendly File Systema, é uma alternativa à gestão de ficheiros uasada, por exemplo, na memória interna de um smartphone. Este sistema tem ganho popularidade, estando até presente em dispositivo Samsung desde o Galaxy Note 10 e, no caso da Google, desde o Pixel 3.

Uma vez que o Fuchsia procura todo um ecossistema de produtos, a utilização desta forma de gestão de ficheiros irá promover a capacidade de se ler dados de todo um conjunto de outros dispositivos em simultâneo.  Esta contribuição da sul-coreana irá continuar neste segmento do SO, com lançamentos significativos a acontecer até julho.

Poderá realmente substituir o Android?

Fonte: Pocket-lint via Ars Technica

Com uma interface que, por agora, se assemelha a cartões, como do Google Now, este esforço da Google não parece, realmente, advir de algo experimental. E, numa altura onde o 5G e a conectividade a outros produtos se começa a desenhar na nossa realidade, é bem provável que, ou na conferência de amanhã da Google I/O, ou num futuro muito próximo, tenhamos anúncios significativos e marcantes deste novo sistema operativo.