Os últimos anos não têm sido fáceis para a fabricante chinesa. E, tendo começado com a desconfiança vinda do outro lado do atlântico, os EUA continuam a dificultar a vida a uma empresa que, outrora, passava marcas como a Apple e a Samsung. Facto este que, aliado à escassez mundial de semicondutores, levou a que a própria Huawei, na apresentação de hoje, se tenha limitado a falar que a sua mais famosa série, a P50, chegaria "quando desse".

Fonte: Huawei (Reprodução)

O sistema que conecta tudo

Falar de um ecossistema sem todo um portefólio de produtos seria estranho. Sabendo disto, a Huawei desfilou pela sua apresentação virtual todo um leque de dispositivos que serão lançados com a sua nova aposta: o Harmony OS.

Fonte: Huawei (Reprodução)

Desenhado para funcionar em qualquer tipo de equipamento independente da sua capacidade de memória, este sistema visa a conexão. O ter atalhos entre os diferentes equipamentos da marca para tarefas como ecrã partilhado, partilha de chamada, envio de ficheiros ou colocar o próprio smartphone a servir de "computador" para um monitor externo (com o Huawei Mate View).

Fonte: Huawei (Reprodução)

Ainda pelo painel de notificações é possível vermos os equipamentos ligados e criar um "super equipamento", onde controlamos as diferentes informações a apresentar em cada um.

Fonte: Huawei

Afastando-nos da comunicação entre todo o ecossistema de produtos, desde uma lâmpada, frigorífico ou a aplicação de saúde, que tem em conta as informações do consumidor para o ajudar na hora de, por exemplo, perceber os alimentos a comer, a Huawei apresentou-nos a página inicial do seu sistema. Uma que, no caso de um smartphone, mostra esta simplicidade e integração da informação para a dar ao utilizador.

A Huawei fala na possibilidade em fazer "pin" à informação que queremos de uma aplicação e colocá-la como widget. Apesar de não ser a abordagem da Apple, a inspiração é notória, bem como do aspeto final que dá ao utilizador. Existem ainda Service Widgets, isto é: aplicações que não precisam de ser instaladas e que funcionam como um serviço de streaming. Estes widgets podem ser usados quer em smartphones, como em relógios, televisores, tablets e outros equipamentos futuros. Funcionalidade possível graças a um código único e que interliga todo o ecossistema.

Os widgets podem ser geridos num painel de serviços, onde todos aqueles disponíveis ficam acessíveis num único espaço por forma a integrar a informação que temos "espalhada" em cada dispositivo do ecossistema.

Fonte: Huawei

A empresa promete ainda combater a perda de processamento que reitera ser comum no ecossistema Android e iOS, bem como garantiu a segurança do consumidor nesta rede de partilha.  Esta promessa acontece pela capacidade de o sistema gerir melhor a ROM, mesmo que novas atualizações cheguem. Ainda segundo os dados da marca no que toca ao desempenho, a Huawei garante que será possível jogar por mais de uma hora jogos com uma taxa de atualização de ecrã a 90Hz sem perdas significativas de bateria. Este dado foi comparado ao iPhone 12 que conta com uma taxa de atualização de 60Hz.

A cereja no topo do bolo foi a menção aos diversos equipamentos que irão receber este sistema. Destaco as gamas mais populares em Portugal: a série P9, P10, P20 e P30, assim como Mate 10, 20 e 30.

Em suma?

Com um sistema que é baseado no código-fonte do Android, a Huawei parece ter criado um híbrido entre Android e iOS. Naquela que parece, até agora, uma boa junção dos dois mundos (e uma que com o futuro Android 12 e o repescar da Apple de aspetos visuais e funcionais ao Android, se torna algo esperado), assistir a esta apresentação revelou-se penoso. Não pela potencialidade do sistema a longo prazo, mas pelo agora. Por aquilo que será necessário à empresa e programadores em puxar todo um conjunto de aplicações para que futuros consumidores se sintam confortáveis e seguros com as promessas da marca.

Pela análise que o Android Authority teve a possibilidade de fazer a um dos equipamentos que sai de fábrica com o novo OS, destaca-se o trabalho de "polimento" feito neste SO. Algo que se assemelha ao Android 10 (a última versão que a Huawei pôde oficialmente disponibilizar), e o iPad OS.

Com uma Huawei já conhecida por "turbinar" e "repaginar" o que a concorrência faz, será preciso mais quem um sistema de código partilhado entre diferentes dispositivos da marca para que os consumidores voltem a apostar na marca. Uma que, a cada trimestre de vendas anunciado, cai em percentagem de mercado.