Embora hajam melhorias importantes nos sensores e na inteligência artificial dos softwares responsáveis pela produção das fotografias, o conjunto de lentes continua sem evolução há muitos anos.

Podia ser caso para dizer que em equipa que ganha não se mexe, contudo a busca por tecnologias mais modernas, e acima de tudo com melhores resultados logísticos leva a que outros caminhos sejam levados em conta.

É precisamente nesse caminho que a Metalenz promete revolucionar o mercado das lentes dos smartphones, bem como de outros dispositivos que as usam.

Os tradicionais sistemas são compostos por diversas lentes sobrepostas, enquanto que esta revolucionária tecnologia será composta por uma única lente plana.

Para melhor perceberes o produto que a Metalenz propõe importa perceber também como funcionam os atuais sistemas de lentes.

Sistemas tradicionais de lentes

De forma muito sucinta, as câmaras que hoje vemos nos nossos smartphones são compostas por diversos componentes, sendo um deles o conjunto de lentes.

As lentes são pequenos elementos de vidro com curvaturas diferentes que ao serem sobrepostas passam para o sensor a imagem com a nitidez e brilho ideais. Esta sobreposição de lentes é que evita por exemplo aquelas distorções e curvaturas nas imagens, bem como, o seu jogo de sobreposição transmite ao sensor mais luz que ajuda a clarificar as imagens.

Atualmente as câmaras dos smartphones possuem conjuntos de lentes com 4 a 7 elementos, como por exemplo a câmara principal que equipa o iPhone 12 Pro que usa um conjunto de lentes de sete elementos.

A qualidade obviamente é inquestionável, contudo a sobreposição dos elementos da lente exige espaço, o que no caso dos smartphones implica aquela já tradicional elevação na zona do módulo das câmaras, também conhecido como “camera bump”.

Assim, até agora uma câmara com uma simples lente de um só elemento era impensável conforme declara ao Wired, Oliver Schindelbeck diretor de inovação das Zeiss, um dos mais conceituados produtores de lentes.

“Se tiveres uma lente de um só elemento, apenas pela física terás aberrações como a distorção ou a dispersão da imagem.”

Também as cores e a sua perfeita nitidez são influenciadas pela sobreposição vertical das lentes.

Todos estes elementos foram sendo reduzidos no seu tamanho, porém um dos principais recursos para a melhoria da qualidade das fotos será sempre a adição de mais lentes em cada câmara os que necessitará de mais espaço.

A revolução da Metalenz

Precisamente a pensar no quesito do espaço surge a tecnologia da Metalenz. Em vez de usar as diversas lentes sobrepostas, esta marca propões uma lente de um só elementos, mas não nos moldes convencionais.

Será portanto uma só lente plana que, analisada ao microscópio são visíveis nano estruturas que transformam a luz e a tornam a imagem perfeita.

Estas nano estruturas assemelham-se a milhões de pequenos círculos  de diferentes diâmetros, tudo isto num nível microscópico.

Fotografia: Justin Knight

O estudos e testes foram levados a cabo pelos fundadores da Metalenz, o seu CEO Robert Devlin, que trabalhava na sua tese de pós-graduação na Universidade de Harvard, e Federico Capasso reputado físico.

De acordo com Devlin as nano estruturas substituem as lentes sobrepostas nas lentes tradicionais.

“Muito da mesma forma como uma lente curva acelera o desacelera a entrada da luz, cada um destes círculos microscópicos, atuam da mesma forma, permitindo a flexão e a moldagem da luz apenas com a alteração de diâmetro das nano estruturas”

Segundo este, os resultado desta operação são fotos tão ou mais nítidas quanto as tiradas com um conjunto de lentes tradicionais. Isto porque além de ocupar menos espaço a lente da Metalenz transmite mesmo mais luz ao sensor, o que na prática se poderá traduzir em fotos ainda mais luminosas e nítidas.

Fotografia: Justin Knight

Tecnologia quase em fase de produção

Tal como divulgam os seu fundadores, a Metalenz está já numa fase muito avançada do projeto estando prevista a entrada em produção já no final deste ano.

Aliás a sua primeira aparição estará já definida, e será num módulo de câmaras com potencialidades 3D para um smartphone, cuja marca não foi ainda revelada.

Tal como refere Devlin os tradicionais sensores de 3D, como o TrueDepth que a Apple usa no Face ID recorre a laser para fazer o scan das feições do rosto, o que despende mais energia da bateria.

No mesmo sistema da marca da Maçã, alegadamente a presença das lentes da Metalenz dispensariam todo aquele arsenal que está por trás da notch nos atuais iPhones, facilitando mesmo a integração da câmara por baixo do ercã, que é na verdade neste momento o que todos ansiamos, em qualquer marca de smartphones.

Como acontece com qualquer tecnologia revolucionária, depois de “testada” em smartphones, a sua utilização poderá desempenhar um importante papel noutras áreas, nomeadamente na medicina, entre outras.