Desde o lançamento do iPhone 12, muito se tem falado sobre o facto do ecrã deste não vir equipado com ecrãs de 120 Hz. Porquê? Porque na concorrência surgiram modelos com esta tecnologia, tais como o Samsung Galaxy S21 e o OnePlus 8T. Na altura, a Apple justificou que o iPhone 12 manteria os 60 Hz de taxa de atualização para evitar uma autonomia inferior ao aceitável devido à combinação com o 5G, mas essa justificação não foi suficiente para cessar a onda de críticas.

Será que as diferenças são assim tão notórias? Continua a ler.

60, 120 ou 240 Hz: o que são os Hertz?

Primeiro vamos explicar o que significa este termo. O Hertz, ou o Hz é uma unidade de frequência que, neste contexto dos ecrãs, representa o número de vezes que um ecrã se atualiza a cada segundo. Portanto, pela lógica, quanto maior for a taxa de atualização, mais suave será mostrado o conteúdo no ecrã.

A importância dos Hz surge, também, devido a outra questão, os FPS ou Frames Por Segundo. O FPS mede o número de frames, ou imagens que um dispositivo registra, processa ou mostra por segundo. Um vídeo é uma série de imagens, portanto um FPS mais alto pode significar uma melhor experiência de visualização. A maioria dos filmes são filmados a 24 FPS, ou seja, tecnicamente não seria necessário um ecrã acima de 24 Hz para os ver. Mas, os computadores produzem a 60 FPS, fazendo com que os 60 Hz sejam o mínimo oferecido nos modelos mais modernos.

Uma maior taxa de atualização faz com que o smartphone seja mais rápido?

Não, de todo. Há outros fatores que contribuem para o desempenho do smartphone. Repara: se o telefone aquecer demasiado, ou se a internet for abaixo enquanto estiveres a jogar o que acontece? O jogo pode ficar lento, pode encravar ou desligar-se.

Isto significa que é o conjunto das características do equipamento que vai ditar o comportamento deste. O processador é muito importante para garantir um bom desempenho do equipamento bem como um bom sistema de arrefecimento e um software capaz e de alta tecnologia.

Existem diferenças entre um ecrã de 60 Hz e um de 120 Hz?

Sim, existem, apesar de serem difíceis de demonstrar através de vídeo. Prova disso é o facto de muitos Youtubers recorrerem ao slow motion para tentar demonstrar as diferenças em termos de suavidade, comparando smartphones com taxas de atualização diferentes. Se estiveres curioso, basta pesquisares no Youtube por “60hz vs 120hz”.

Conforme verás nesses vídeos, existem diferenças e são essencialmente relativas à fluidez dos movimentos realizados no smartphone, ou seja, há uma navegação mais fluída, com animações mais suaves.

Existem alguns sites que permitem simular as diferenças entre os FPS, mas se o monitor que estás a utilizar não possuir uma alta taxa de atualização, não conseguirás vê-las. Podes, no entanto, usar o teste do Blur Buster e comparar entre os 30 FPS e os 60 FPS, com a ressalva de que a diferença para os de 120 não é tão grande quanto esta.

Ainda assim, a evidência mostra que as maiores diferenças são sentidas entre gamers profissionais. Já em 2013, um estudo do Hardware.info, mostrou que a maioria dos jogadores eram capazes de distinguir diferenças entre 60 Hz e 120 Hz.

E quanto ao utilizador “comum”?

A escolha entre qualquer um dos ecrãs depende da utilização do mesmo, ou do fim a que se destina. Como vimos atrás, se o objetivo é correr jogos de última geração, então sim, vais beneficiar de um ecrã com elevadas taxas de atualização. A tecnologia faz com que os frames sejam atualizados com mais frequência o que melhora muito os efeitos e o movimento, conferindo maior performance gráfica durante o jogo.

Por outro lado, para tarefas mais básicas, de navegação, trabalho ou lazer, as diferenças não são assim tão fracturantes. Pode até ser mais interessante investir num ecrã mais brilhante e com maior resolução. Até porque, conforme vimos, uma maior taxa de atualização não significa necessariamente que o smartphone seja mais rápido.

Quanto ao iPhone, notícias recentes dão conta que foi registada uma nova patente que descreve um ecrã capaz de adaptar a taxa de atualização de acordo com o conteúdo em exibição, podendo ampliá-la em duas, três ou até quatro vezes. Desta forma, um iPhone com um ecrã de 60 Hz seria capaz de aumentar a taxa de atualização para 120, 180 ou 240 Hz.