Samsung alia-se à Google

Foi após o anúncio da próxima versão do robô verde, que a Google anunciou que a Samsung, com o seu sistema operativo Tizen, e a Google, com o seu Wear, se iriam juntar. Tudo isto para criar uma plataforma de wearables unificada.

Fonte: Google

Ora, para os mais desatentos, o sistema operativo próprio da Google para produtos da internet das coisas veio, nos últimos anos, a perder a sua popularidade e a ser ultrapassado por toda a sinergia do ecossistema Apple e o seu Apple Watch. Com exemplos desta fraca popularidade vistos em dispositivos Samsung, que usavam o Tizen, da OnePlus, que optou por uma versão diferente da sua Oxygen OS, ou até da Huawei, que nunca criou os seus produtos com base no Wear OS, a Google andava perdida.

Entra a Samsung

Com os intensos rumores de que os próximos relógios da fabricante sul-coreana iriam abandonar o sistema Tizen (Galaxy Watch 4 e Active 4), uma certeza existia: se a Google não permite a personalização no seu Wear OS, a única forma de a Samsung largar o seu sistema proprietário só poderia acontecer se uma "mudança de coração" tivesse ocorrido na Google.

Após rumores e suposições, foi mesmo isso que aconteceu. É assim, com grande entusiasmo (até por já vos ter dado uma review do Galaxy Watch3), que a Samsung dará a um novo Wear OS tudo o que veio a desenvolver nestes últimos anos. Do que falo? Falo do casamento que a Samsung consegue entre o hardware e software nos seus relógios, de fácil utilização e de uma fluidez de utilização intuitivo e extremamente personalizável. Algo que não acontece na atual plataforma da Google, onde os gestos excessivos dificultam a utilização e praticabilidade na hora de utilizarmos os produtos.

As próprias funcionalidades de saúde da aplicação Samsung Health têm vindo a acompanhar as tendências, ao possuir algoritmos para ler e interpretar eletrocardiograma, pressão arterial, ritmos de sono, stress e os níveis de oxigénio no sangue.

Nem tudo é bom no Tizen, como o ecossistema de aplicações e a sua adotação, o que leva a que, por exemplo, aplicações como o Google Pay ou Google Maps não estejam disponíveis neste SO. Algo que, com uma união entre estas duas fabricantes, se resolve, levando a uma comunidade mais vasta em serviços e qualidade.

As promessas da Google

Fonte: Google (Reprodução Google I/O 2021)

Alguns destes objetivos foram logo apresentados, já que a Google incorporou elementos do Tizen (os tiles) no sistema. Algo que, segundo a mesma, leva a taxas de resposta 30% mais rápidas.

Junto a estas otimizações e a uma comunidade alargada de programadores, está a poupança de bateria na hora de monitorizar o sono e medir a frequência cardíaca em produtos com este novo Wear OS.

Quem é o "terceiro gigante" nesta equação?

Photo by Kamil S / Unsplash

A resposta é simples: a Fitbit. Sim, aquela compra inesperada feita pela Google em 2019. Uma adição de peso e que, junto ao que a Samsung já oferece, consegue, no futuro, dar aos utilizadores a profundidade em software de dados de saúde que é característico em algumas funcionalidades do sistema operativo da Apple.

A entrada da Fitbit permitirá uma experiência de utilização mais amigável e o acesso a um vasto leque de hardware que, outrora, esta não tinha à sua disposição.

Wear OS num bom caminho?

Sem querer soar extremamente otimista, mas acredito que sim. Porquê? Bem, pelo próprio passado da Samsung e Google com os dispositivos dobráveis e que levou a novas e otimizadas experiências de utilização. Se aliarmos esta visão conjunta da tecnologia a parcerias que, de facto, têm sustento, poderemos estar numa década altamente entusiasmante para o ressurgimento dos wearables.

Sabemos que o considerado único concorrente Android ao Apple Watch, o Galaxy Watch3, não tem o mesmo share de mercado que a oferta de Cupertino. Porém, estando estes passos dados no mundo Android, não só esta união impulsionará a acessibilidade da tecnologia a todos, como, no fim, levará a que tanto a Apple, Samsung, Google, OnePlus, Xiaomi, Oppo, etc., entrem na corrida de dar mais e melhor aos consumidores.

Num ano em que os restos da pandemia ainda se fazem sentir, esta esfera criativa conjunta poderá, quiçá, no futuro, levar até a mais inovações na saúde e que tenham impacto significativo na vida de cada um de nós